Bullet Café - Lula na ONU 2025: O Show de Diplomacia Que Trump Quase Estragou (Mas Não Conseguiu)

 
Lula ONU 2025
Imagem: Ricardo Stuckert | PR

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Drama Internacional Com Gosto de Novela das 8

Primeiramente, não é todo dia que vemos o presidente brasileiro transformar a tribuna da ONU numa verdadeira arena política. Consequentemente, Lula na ONU 2025 não subiu lá pra fazer discurso protocolar - pelo contrário, foi direto ao ponto, sabendo que Trump estaria assistindo da plateia, provavelmente resmungando em inglês.

Além disso, o timing não poderia ser mais perfeito: Brasil abrindo a Assembleia Geral, Trump na sequência, e o mundo inteiro assistindo esse cabo de guerra diplomático entre as duas maiores economias das Américas. Portanto, quem precisa de Netflix quando tem política internacional desse nível?

Soberania: A Nova Palavra de Ordem

Logo de cara, então, Lula soltou a bomba: "a soberania do Brasil é inegociável". Em outras palavras, traduzindo do diplomatês: "pode esquecer, gringo, que aqui quem manda somos nós". Ademais, a referência à condenação de Bolsonaro como "recado aos aspirantes a autocratas" foi basicamente um dedo no nariz para quem estava questionando nossas instituições.

No entanto, vamos combinar uma coisa: é meio estranho ter que explicar pro mundo que nossa democracia funciona quando metade do país ainda acha que ela não funciona direito. Afinal de contas, é tipo defender que sua casa está organizada enquanto tem uma pilha de roupa suja no quarto.

Porém, a estratégia foi inteligente, isso ninguém pode negar. Consequentemente, pegar uma briga doméstica e transformar em questão de princípio internacional é jogada de mestre. Entretanto, fica a dúvida: será que nossas instituições estão realmente tão blindadas assim ou foi só marketing diplomático?

A Cruzada Global Contra a Fome

Em seguida, Lula partiu pro seu território sagrado: falar de fome. Por um lado, comemorou a saída do Brasil do Mapa da Fome, promoveu a tal da Aliança Global (103 países já embarcaram na ideia) e ainda filosofou que essa é "a única guerra que todo mundo pode ganhar".

De fato, tirar o país do Mapa da Fome é conquista real, sem clubismo. Contudo, entre nós: 21 milhões de brasileiros ainda passam aperto na mesa de casa. Em suma, é tipo dizer que resolveu o problema da seca enquanto ainda tem gente carregando balde na cabeça.

Por outro lado, o programa funciona? Funciona. Poderia funcionar melhor? Óbvio que sim. Mas pelo menos não é aquela conversa de "deixa o mercado resolver" que a gente já conhece bem.
Ainda assim, vender liderança global em combate à fome enquanto o feijão custa os olhos da cara aqui dentro tem um quê de propaganda. Ou seja, bonito lá fora, complicado aqui dentro.

Verde Que Te Quero Verde
COP30
Imagem de Argosjr

Na agenda climática, por sua vez, o presidente caprichou. COP30 em Belém como "COP da verdade", proposta de novo conselho na ONU pra fiscalizar compromissos climáticos, e aquela frase impactante sobre bombas nucleares não protegerem ninguém da crise do clima.

Certamente, é inegável que o Brasil tem protagonismo ambiental mundial. Amazônia, Cerrado, Pantanal - temos o que o mundo precisa preservar. Porém, entre ter e cuidar existe uma distancia abismal. Nós ainda queimamos florestas, ainda temos garimpo ilegal, ainda brigamos com os nossos povos originários por terra (e com NÓS, eu quero dizer o AGRONEGÓCIO).

Lula Marques - Agência Brasil

E não vamos esquecer daquela sena dantesca que ocorreu com a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ainda esse ano.

Dessa forma, prometer ser líder mundial do clima quando você ainda não conseguiu resolver seus próprios pepinos ambientais internos é meio como se candidatar a personal trainer enquanto está sedentário. Pode até dar certo, mas, no final das contas, soa forçado.

Oriente Médio: Pisando em Ovos

Posteriormente, Lula não fugiu da raia quando o assunto foi Gaza. Chamou de genocídio, defendeu os dois Estados, lamentou a ausência palestina na Assembleia. Sem dúvida, posição corajosa num mundo onde todo mundo quer ficar em cima do muro.

Obviamente, nossa influência real no conflito é próxima de zero. Mesmo assim, pelo menos não ficamos fazendo malabarismo diplomático pra não desagradar ninguém. Com efeito, tem valor isso.

Trump e a Arte do Morde-e-Assopra
Trump Taco
Imagem de Charlie Sykes

Então, chegou a hora do show. Trump contando sobre o "encontro casual" nos corredores, falando em "química excelente", marcando reunião pra semana seguinte. Durante cinco minutos, parecia que íamos assistir um bromance presidencial.

Ledo engano, porém. Trump sendo Trump, logo voltou ao script: Brasil vai mal, só vai bem se trabalhar conosco, processo contra Bolsonaro é perseguição, blá-blá-blá autoritário de sempre.
Na verdade, o cara consegue ser ameaçador e conciliatório no mesmo discurso. É talento pra confundir que não é brincadeira. Em outras palavras, diplomacia de botequim elevada ao status internacional.

As Contas Que Não Fecham

Agora, vamos ao que interessa: enquanto Lula na ONU 2025 brilhava lá fora, aqui dentro a coisa não está tão colorida assim. Polarização política que não diminui, reforma tributária que ninguém entende direito, segurança pública abandonada, violência nas periferias ignorada.
Assim sendo, defender democracia na ONU é lindo, mas quando você tem milícia controlando território, facção dominando periferia e polícia matando jovem preto, fica meio difícil vender estabilidade institucional.

Da mesma forma, a liderança climática também perde força quando lembramos que ainda temos carvoaria clandestina, desmatamento ilegal e licenciamento ambiental que demora mais que novela da Globo.

Não é questão de ser do contra, aliás. É questão de coerência entre discurso externo e realidade interna.

O Encontro da Verdade

Por conseguinte, o encontro marcado entre os dois vai ser interessante. Trump já mostrou que gosta de humilhar líder estrangeiro em público (pergunta pro Zelensky como foi). O governo brasileiro sabe disso e, por isso, já está se preparando.

A questão é que Lula vai manter a mesma postura firme quando estiver cara a cara com quem pode quebrar nossa economia? Ou então vamos ver aquele jeitinho brasileiro de "vamos conversar e resolver tudo numa boa"?

Enquanto isso, as tarifas continuam, as sanções também. Todo esse teatro é bonito, mas quem paga a conta no final é sempre o povo.

Realidade Check Necessário

Em conclusão, no fim das contas, Lula na ONU 2025 foi aula de como fazer diplomacia sem perder a dignidade. Transformar pressão externa em oportunidade de liderança não é pra qualquer um.

Todavia, vamos combinar: é estranho precisar ir à ONU pra defender nossa própria democracia. É como precisar chamar a polícia pra provar que você não é ladrão.

Finalmente, o discurso foi tecnicamente perfeito. Politicamente inteligente. Diplomaticamente eficaz. Só falta ver se vai virar política pública de verdade ou se foi só mais um espetáculo pra plateia internacional.

Porque, no final, quem avalia presidente não é a ONU. É o povo que acorda todo dia e precisa resolver problema real com dinheiro real.

Acham que Lula vai conseguir transformar esse sucesso lá fora em resultado aqui dentro? Ou foi só mais um show pra inglês ver? Mandem aí suas apostas - mas sem radicalismo, que já temos o suficiente.

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